Bolsa vive seu melhor momento com número recorde de investidores

Podemos afirmar sem medo de errar: o brasileiro finalmente descobriu a Bolsa de Valores. E a tendência de crescimento do número de pessoas que investe em renda variável é um caminho sem volta.

O exemplo que melhor ilustra a afirmação acima é o recorde do número de pessoas físicas que investe no mercado de ações. Há cerca de um mês o número de contas abertas na B3, a Bolsa de Valores brasileira, ultrapassou o patamar dos 3 milhões de CPFs.

E o que mais chama atenção nesse número é a velocidade do seu crescimento. No período de apenas um ano o número de investidores na bolsa aumentou em de mais de 100%. Os dados ficam mais impressionantes ainda quando observamos que há apenas dois anos contávamos com apenas 600 mil investidores. E há duas décadas, menos de 100 mil pessoas possuíam contas abertas na Bovespa (antiga B3).

Os motivos para o crescimento vertiginoso são muitos e passam por questões de longo e também de curto prazo. No longo prazo, tivemos o amadurecimento do mercado de ações, o surgimento das assessorias de investimento e o fomento da educação financeira. No curto prazo, a queda da taxa Selic a níveis históricos acabou de turbinar o crescimento.

Histórico da Bolsa

O interesse do brasileiro pelo mercado de capitais é um fenômeno bastante recente. Até há bem pouco tempo o mercado de ações era visto como “bicho de sete cabeças”, ou no máximo coisa de gente que tinha dinheiro sobrando.

Felizmente esse cenário está mudando, o que é bastante salutar. O acesso ao mercado de capitais pela população em geral fomenta o capitalismo, gera riquezas, empregos e investimentos, e permite com que as pessoas construam seu futuro e invistam em seus sonhos.

Apenas para se ter uma ideia, mais de 50% dos americanos com idade acima de 18 investem direta ou indiretamente no mercado de ações (Fonte: br.investing.com e uol.com.br). Esse número impressionante para nós brasileiros mostra o quanto ainda podemos evoluir.

No Brasil, as primeiras bolsas de valores foram criadas na primeira metade do Século XIX. Ainda no período Colonial foram inauguradas as bolsas do Rio de Janeiro e da Bahia. Já a Bolsa de São Paulo, a Bovespa, só veio a nascer no Século XX, mais precisamente em 1968. E em 1976 foi criada a Comissão de Valores Mobiliários, que segue até hoje como a entidade responsável pela regulamentação do mercado brasileiro.

Apesar de sua abertura tardia, a Bolsa de São Paulo foi ganhando relevância ano a ano, até se tornar a principal do país após o fechamento da Bolsa do Rio no início dos anos 2000. Finalmente, com a fusão final das bolsas brasileiras, criou-se a Bovespa e depois a BM&F Bovespa em 2008.

Mais recentemente, a partir de 2017 com uma nova fusão, desta vez com a Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados (Cetip), formou-se a B3, como a Bolsa de São Paulo passou a ser conhecida até os dias de hoje. A B3 –“Brasil, Bolsa e Balcão”, como é conhecida, tornou-se a bolsa de valores oficial do país.

Potencial

E se já dissemos que o potencial para o crescimento no número de investidores no país é grande, podemos afirmar que não é menor em relação a outros quesitos do mercado de capitais. Um dos parâmetros que mede o tamanho da nossa bolsa e que poderia ser bem maior é o número de empresas listadas.

Atualmente, a B3 conta com um total de 328 companhias com ações disponíveis para comercialização. No entanto, esse número já foi bem maior. Apenas para se ter uma ideia, em 2007 chegamos a contar com 400 empresas listadas na bolsa. Em 1996, esse número era ainda maior, atingindo um pico de 550 empresas, embora a maioria fosse estatal.

Aliás, o perfil de empresa que compõe a Bolsa em cada momento também é um fator que sofreu bastante transformação ao longo do tempo.

Logo no início, ainda na década de 1960, os principais setores representados na Bolsa de São Paulo eram, pela ordem, Bens de Consumo, Materiais de Construção, Mineração/Metalurgia e Serviços Financeiros.

No início dos anos 2000, a bolsa foi dominada por empresas de utilidade pública, representadas pelas estatais de telefonia, como Embratel, Telesp, Telerj, etc. Esse setor, representava mais de 60% da Bolsa, seguido por Petróleo e Gás, Serviços Financeiros e Mineração/Metalurgia.

Na década de 2010, houve uma nova redistribuição com o setor de Mineração/Metalurgia tomando a dianteira seguido por Serviços Financeiros, Petróleo e Gás e Serviços de Utilidade Pública.

Atualmente, o setor de Serviços Financeiros assumiu a ponta com mais de 30% das empresas, seguido por Petróleo e Gás, Bens de Consumo e Mineração/ Metalurgia.

Outro parâmetro que registrou o crescimento no atual período foi o volume financeiro médio diário negociado na B3. A média registrada no mês de junho ultrapassou R$ 25 bilhões/dia. Em dezembro de 2019 a média diária pouco ultrapassava os R$ 15 bilhões.

Apesar do crescimento ser bastante significativo no período atual, acredita-se que o potencial para crescimento ainda é muito grande. Para manter essa tendência, defendem a educação financeira como grande aliada de um maior interesse pelo mercado de capitais.

Desta forma, ao observarmos o cenário macro podemos concluir que a Bolsa brasileira atravessa um momento bastante promissor e com excelentes perspectivas futuras. Ao mesmo tempo, também podemos concluir que esse mercado apenas começou a ser desbravado pela maioria da população brasileira.

E como diz um ditado famoso no mercado financeiro: o melhor momento para entrar na Bolsa é agora. Caso você queira mais informações sobre como acessar o mercado de capitais, agende uma reunião com um assessor de investimentos e faça uma análise de seu perfil investidor.