Conhecer o meu perfil de investidor é mesmo necessário?

Conhecer o meu perfil de investidor é mesmo necessário?

Cenário da pandemia obriga investidores de todos os portes a reverem seus perfis afim de se adequar ao atual momento econômico

Diz o velho ditado que “toda grande jornada começa com um simples passo”. Em se tratando da construção de uma carteira de investimentos essa máxima é absolutamente verdadeira.

E nesse caso, quando falamos em primeiro passo, estamos nos referindo à identificação do perfil do investidor. Antes de definirmos por onde e como começar, é muito importante conhecermos o nosso perfil investidor.

O interessante, é que muitas vezes acreditamos ter um perfil, mas durante o processo de análise acabamos por nos deparar com algumas surpresas. Isso ocorre pelo fato de que o perfil deva ser traçado a partir de uma série de premissas metodológicas. E não aleatoriamente.

Embora não exista um método padrão de análise, normalmente as ferramentas e questionários levam em consideração a idade do investidor, bem como o número de dependentes, as fontes de rendas, os objetivos e metas e, por fim, a capacidade de suportar riscos.

Aliadas à experiência e à sensibilidade do assessor de investimentos, tais premissas podem determinar o perfil do investidor, para que dessa forma, sua carteira gere bons resultados e a menor frustração possível.

De modo geral, o perfil do investidor é dividido em conservador, moderado e agressivo, embora possa suportar subdivisões. A XP Investimento, por exemplo, divide o perfil em Cauteloso, Defensivo, Estrategista, Visionário, Energético e Destemido.

E também de modo geral, o que diferencia os perfis é a expectativa entre rentabilidade e risco. Obviamente, quando maior o risco, maior a probabilidade de ganho a longo prazo e, vice-versa. Outro fator que impacta tal relação é o tempo. Quanto menor a liquidez, maior tende ser a rentabilidade.

O papel do assessor de investimento, aliado as ferramentas que a sua instituição financeira lhe proporciona, é auxiliar o investidor na identificação do seu perfil e, mais do que isso, ter a capacidade de em cada momento específico oferecer sempre as melhores opções de investimentos. As escolhas entre os muitos produtos de renda fixa ou variável vão compor uma boa carteira, que acima de tudo deve estar em conformidade com o perfil traçado.

Os desafios do “novo normal”

Tão importante quanto traçar o perfil do investidor é saber analisar o momento pessoal de cada um e da economia em geral para a realização dos ajustes necessários. Portanto, é importante que o seu assessor esteja apto a responder com agilidade às demandas do momento.

Tais demandas podem se alterar a partir de uma nova meta do investidor, como fazer uma viagem ou comprar um imóvel, por exemplo, a partir de um movimento importante do mercado ou da macroeconomia.

O cenário brasileiro e mundial, pós pandemia, é um bom exemplo disso. A crise econômica global gerada pelo vírus e o caso brasileiro específico, de queda acentuada da taxa básica de juros (Selic), exige uma nova postura frente aos investimentos. Com isso, o perfil de muitos investidores tem sido impactado de acordo com a necessidade ou com novos objetivos.

No momento atual, a rentabilidade dos produtos de renda fixa foi brutalmente impactada, provocando uma migração para renda variável. Com isso, surgiu a necessidade do investidor repensar o seu perfil dentro de uma nova realidade em que o risco precisa ser melhor suportado.

Tal cenário acabou por obrigar muitos investidores a migrarem de perfil. Muitos conservadores e moderados decidiram mudar para perfis moderados e agressivos, respectivamente, a fim de manter a rentabilidade antes prevista. Logicamente, a equação risco/rentabilidade também se altera nesse cenário.

Já o perfil agressivo, em muitos casos, decidiu expor a carteira a um pouco mais de risco, buscando mais diversificação, com produtos de renda variável mais rentáveis.

O papel do assessor de investimento

É justamente por conta de tais peculiaridades e sazonalidades que o papel do assessor de investimento se torna cada vez relevante. O assessor é o profissional que acompanha o mercado de forma sistemática e tem acesso aos melhores produtos a cada momento.

É sempre bom salientar também que o assessor é um profissional especializado e que precisa contar com uma certificação para atuar no mercado financeiro. Embora não seja indispensável na montagem de uma carteira de investimento, ele pode agregar muita qualidade ao processo. Não só por conta de seu conhecimento, mas também pelo acesso a produtos e taxas pouco acessíveis para o investidor individual comum.

Em resumo, o assessor é o profissional que pode apresentar os melhores produtos e opções, de acordo com o perfil de cada investidor. O trabalho é altamente personalizado e sempre leva em conta os objetivos de cada um.

Nem sempre o investidor quer apenas ganhar mais. Muita gente tem como prioridade a tranquilidade de otimizar suas finanças, porém sem solavancos e também sem a necessidade de ficar acompanhando o mercado sistematicamente. Portanto, não existe perfil melhor ou pior. O que existem são perfis que devem ser respeitados e orientados, de acordo com cada momento e objetivo.

Com tal alinhamento de expectativas, com certeza é possível encontrar um meio termo, ou uma equação, que conjugue a melhor combinação possível entre risco, rentabilidade e liquidez.

Mantendo essa perspectiva em mente fica sempre mais fácil compreender os ventos do mercado e ajustar as velas para uma navegação mais segura e eficiente.

2020-11-19T21:34:07-03:00
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